Anvisa publica nova versão do Manual de Higiene das Mãos:
o que muda para os serviços de saúde
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a segunda edição do manual Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higiene das Mãos, documento que integra a Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. A publicação substitui a versão anterior, disponibilizada em 2009, e representa a atualização mais abrangente das recomendações nacionais sobre o tema em mais de quinze anos.
O que traz a nova edição
O documento é estruturado em dez capítulos que cobrem desde as perspectivas históricas da higiene das mãos — passando pelos estudos pioneiros de Semmelweis, Florence Nightingale e Joseph Lister — até os aspectos mais operacionais da prática nos serviços contemporâneos. Os destaques incluem:
Aspectos microbiológicos e epidemiológicos atualizados.
O manual dedica capítulos inteiros à microbiota da pele, à evidência de transmissão de patógenos por meio das mãos e ao controle de microrganismos multirresistentes (MR) — entre eles o Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos, classificado pela OMS como prioridade crítica. A conexão entre higiene das mãos e contenção da RAM é tratada de forma explícita e aprofundada.
Produtos e equipamentos com critérios revisados.
Dois capítulos são dedicados aos produtos utilizados na higiene das mãos — incluindo preparações alcoólicas nas formas gel, líquida, espuma e spray — e aos equipamentos e insumos necessários. O manual aborda formulações, eficácia antimicrobiana, compatibilidade com a pele e critérios de seleção para diferentes contextos assistenciais.
A higiene das mãos nos serviços de saúde: do hospital à atenção primária.
O Capítulo 7 cobre a prática nos diferentes cenários assistenciais, reafirmando os cinco momentos para a higiene das mãos (modelo da OMS) como referência operacional. O capítulo contempla também os efeitos adversos dos produtos, tema tratado separadamente no Capítulo 8, com orientações sobre dermatite de contato e tolerância cutânea.
Estratégia Multimodal de Melhoria da Higiene das Mãos.
O Capítulo 9 sistematiza os métodos e estratégias para promover adesão. Destaca-se a Estratégia Multimodal da OMS, composta por cinco componentes: mudança de sistema (disponibilização do álcool no ponto de assistência), capacitação profissional sobre os cinco momentos, monitoramento com retorno de indicadores às equipes, afixação de lembretes e cartazes no ambiente de trabalho, e construção de uma cultura institucional de segurança com apoio expresso de lideranças. Um projeto piloto conduzido no Brasil — coordenado pela Anvisa em parceria com a OPAS/OMS — evidenciou aumento da adesão de 52,1% para 71,6% em todas as unidades dos hospitais participantes.
Impacto e evidências.
O Capítulo 10 fecha o documento com uma síntese do impacto da melhoria da adesão nas taxas de IRAS, sustentando com evidências a relação entre a prática sistemática da higiene das mãos e a redução de morbimortalidade, custos assistenciais e resistência antimicrobiana.
Participação do paciente e da família.
A publicação incorpora explicitamente a perspectiva do paciente/cliente e seus familiares como agentes ativos na promoção da higiene das mãos — abordagem considerada inovadora no contexto da assistência à saúde e alinhada aos princípios do cuidado centrado no paciente.